sexta-feira, 22 de junho de 2012

O Beijo da Noite - Kiss Of The Night



Edição: 2010
Editora: Chá das Cinco
Páginas: 287

Predador da Noite... um guerreiro imortal que entregou a alma a Ártemis por uma oportunidade de se vingar dos seus inimigos. Em troca, jurou passar a eternidade protegendo a humanidade dos daemon e vampiros que se alimentam dela.
"O predador da noite Wulf é um antigo guerreiro viking, com um poder útil mas muito irritante: amnésia. Ninguém que o conheça pessoalmente se lembra dele passado cinco minutos. Torna fáceis os engates de uma noite, mas difícil qualquer relacionamento mais sério e, se encontrar o amor verdadeiro, não poderá recuperar a alma. Depois conhece Cassandra, a única mulher capaz de se lembrar de si.
No entanto, enquanto princesa da raça amaldiçoada que Wulf jurou caçar, ela está-lhe proibida..."


Prólogo:
"  Atlântida:
Terra de fábula. Mística. Dourada. Misteriosa. Gloriosa e mágica.
Há quem defenda que nunca existiu.
Mas também há quem pense que está seguro neste mundo moderno, repleto de tecnologia e armamento. Seguroem relação aos males antigos. Até acreditam que feiticeiros, guerreiros e dragões estão mortos há muito.
São tolos que se agarram à sua ciência e à sua lógica, pensando encontrar nelas a salvação. Nunca serão livres, nem estarão seguros, não enquanto se recusarem a ver o que se encontra mesmo à frente dos seus olhos.
Porque todos os antigos mitos e lendas estão enraizados na verdade e a verdade nem sempre nos liberta. Por vezes, escraviza-nos ainda mais.
Mas venham, meus belos, e ouçam-me contar uma história sobre o paraíso mais perfeito que alguma vez existiu.
Para lá dos míticos Pilares de Héracles, no grande Egeu, existiu outrora uma terra orgulhosa que gerou uma raça de homens muito mais avançados do que os antecederam ou seguiram.
Fundada nas névoas antigas do tempo pelo deus primordial, Archon, a Atântida tomou o seu nome da irmã mais velha de Archon, Atlântica, cujo nome significa " graciosamente bela". Archon conjurou a ilha com a ajuda do seu tio, o deus do oceano, Igor, e da sua irmã Eda ( Terra) para ofertar à esposa Apollymi, para que pudessem povoar o continente com os seus filhos divinos, que assim teriam todo o espaço de que necessitavam para correr e crescer.
Apollymi chorou com tamanha alegria perante o seu presente que as suas lágrimas inundaram a terra e transformaram a Atlântida numa cidade dentro de uma cidade. Ilhas gémeas rodeadas por cinco canais de água.
Ali daria à luz os seus filhos imortais.
Mas em breve se descobriu que a grande Destruidora, Apollymi, era estéril. A pedido de Archon, Ydor falou com Eda e, juntous, criaram a raça dos altantes para povoar as ilhas e trazer de novo a alegria ao coração de Apollymi.
Funcionou.
Louros e belos, em honra da deusa-rainha, os atlantes era muito superiores a qualquer outra raça de homens. Só eles davam prazer a Apollymi e faziam sorrir a grande Destruidora.
Amantes da paz e justos, como os seus deuses antigos, os atlantes não conheciam a guerra. Nem a pobreza. Usavam as suas capacidades psíquicas e a magia para viver em harmonia dentro do equilíbrio da natureza. Acolhiam todos os estrangeiros que chegavam às suas costas e com eles partilhavam dádivas de cura e prosperidade.
Mas, à medida que o tempo foi passando, e outros panteões e povos ergueram para os desafiar, os atlantes foram obrigados a lutar pela sua terra natal.
Para proteger o seu povo, os deuses atlantes entravam em constante conflito com o panteão grego inicial. Para eles, os gregos eram crianças que lutavam pela posse de coisas que não eram capazes de entender. Os atlantes tentaram lidar com eles como qualquer pai lidaria com um bebé zangado.
Com justiça. Com paciência.
Mas os gregos não davam ouvidos à sua antiga sabedoria. Zeus e Poseidon, entre outros, sentiam ciúmes das riquezas e da serenidade atlante.
Contudo, era Apolo quem mais cobiçava a ilha.
Deus implacável e astuto, Apolo colocou em andamento um plano para tomar a Atlântida aos deuses mais antigos. Ao contrário do pai e do tio, sabia que os gregos jamais seriam  capazes de derrotar os atlantes numa guerra aberta. Só a apartir do interior poderia conquistar a antiga e avançada civilização.
Por isso, quando Zeus baniu a raça guerreira de Apolo, os apollite, da sua Grécia natal, Apolo reuniu os seus filhos e guiou-os, através do mar, até às costas da Atlântida.
Os atlantes simpatizaram com a raça apollite, de capacidades psíquicas e semelhantes aos deuses, que tinha sido perseguida pelos gregos. Encararam os apollite como primos e receberam-nos de braços abertos, na condição de respeitarem a lei atlante e não causarem disputas.
Publicamente, os apollite fizeram conforme lhes era dito. Sacrificavam aos deuses atlantes, sem nunca quebrarem o seu pacto com o pai, Apolo. Todos os anos escolhiam entre eles a virgem mais bela e enviavam-na a Delfos, como oferta a Apolo pela bondade que revelara, dando-lhes um novo lar, onde um dia reinariam como deuses.
No ano 10.500 A.C,  a bela aristocrata Clieto foi enviada a Delfos. Apolo sentiu, de imediato, amor por ela e fez-lhe cinco pares de gémeos. Foi através da sua amante e dos seus filhos que anteviu o seu destino. Por fim, eles guiá-lo-iam ao trono da Atlântida.
Reenviou a amante e os filhos para a Atlântida, tendo estes casado dentro da família real atlante. Como os filhos mais velhos de Apolo tinham casado com os atlantes nativos e fundido as duas raças, tornariam  mais fortes os seus filhos e o mesmo lhe aconteceria a ele. Só ele manteria pura linhagem real para assegurar a força e a lealdade da coroa atlante para consigo.
Tinha planos para a Atlâtida e para os seus filhos. Através deles, Apolo governaria toda a terra e derrubaria o pai, tal como este derrubara o antigo deus Cronos que o antecedera.
Dizia-se que o próprio Apolo visitava a rainha de cada nova geração e fazia nela uma herdeiro atlante.
De cada vez que nascia um primogénito, Apolo visitava os seus oráculos para descobrir se seria aquele filho o que derrubaria os deuses atlantes.
Todos os anos lhe era dito que não.
Até 9548 A.C
Como era seu hábito, Apolo visitou a rainha atlante, cujo rei falecera no ano anterior. Apareceu-lhe sob a forma de um fantasma e gerou nela o seu filho, enquanto ela dormia sonhando com o marido morto.
Foi, também, nesse ano que os deuses atlantes, Apollymi, descobriu-se grávida com o filho de Archon.
Depois de tantos séculos a desejar um filho, a Destruidora vira, por fim, o seu desejo concedido. Diz-se que, nesse dia, a ilha da Atlântida floresceu e conheceu maior prosperidade do que alguma vez conhecera. A deusa-rainha celebrou, alegremente, enquanto contava a novidade aos deuses.
Assim que as Parcas ouviram o seu anúncio, olharam para Apollymi e Archon e proclamaram que o filho por nascer de Apollymi traria a morte a todos eles.
Uma a uma, as três Parcas pronunciaram, à vez, uma das  frases da profecia.
- O mundo como o conhecemos terminará
- Nas suas mãos se encontra o Destino de todos nós.
- Como deus, todos os seus caprichos reinarão supremos.
Aterrorizado pela previsão, Archon ordenou à esposa que matasse o filho por nascer.
Apollymi recusou. Tinha esperado durante demasiado tempo pelo seu filho para o ver desnecessariamente morto, devido às palavras das Parcas invejosas. Com a ajuda da irmã, deu prematuramente à luz o seu filho e escondeu-o no mundo mortal. A  Archon entregou um bebé de pedra.
- Estou cansada das tuas infidelidades e mentiras, Archon. Deste dia em diante endureceste o meu coração em relação a tia. Um bebé de pedra é tudo o que receberás de mim.
Enraivecido, Archon aprisionou-a em Kalosis, um reino subterrâneo entre este mundo e o deles.
- Aí ficarás até a morte do teu filho.
E, assim, os deuses atlantes voltaram-se contra a irmã de Apollymi até lhe terem arrancado uma confissão.
- Ele nascerá quando a Lua engolir o Sol e a Atlêntida estiver banhada nas escuridão absoluta. A sua mãe real chorará de medo face ao seus nascimento.
Os deuses visitaram a rainha atlante cujo nascimento do filho estava iminente. Como previsto, a Lua eclipsou o Sol, enquanto ela lutava para dar à luz, e, quando o filho nasceu, Archon exigiu que o bebé fosse morto.
A rainha chorou e implorou pela ajuda de Apolo. Decerto o amante não permitiria que o seu filho fosse morto pelo deuses antigos.
Mas Apolo ignorou-a e ela assistiu, impotente, enquanto o recém-nascido era morto perante os seus próprios olhos.
O que a rainha não sabia era que Apolo já tinha sido avisado do que ia acontecer e que não era o seu filho que ela carregava, mas uma outra criança que aquele lhe colocara no ventre para salvar o filho.
Com a ajuda da irmã, Ártemis, Apolo tinha levado o filho para Delfos, tendo o rapaz sido criado entre as sacerdotisas de Apolo.
À medida que os anos iam passando e Apolo não regressava à rainha altante para lhe gerar novo herdeiro, o ódio dela ia crescendo. Desprezava o deus grego que não se dava ao trabalho de lhe dar um filho para substituir aquele que perdera.
Vinte e um anos depois de ter testemunhado o sacrifício do seu único filho, a rainha ficou a saber da existência de uma outra criança, a filha do deus grego Apolo.
Esta nascera de uma princesa grega que tinha sido dada aos deus como oferenda, na esperança de ganhar as bênçãos do deus para os gregos que se encontravam em guerra com os atlantes.
Mal a notícia chegou aos ouvidos da rainha, a sua amargura cresceu bem fundo, dentro de si, até uma onda a ter varrido.
Convocou a sua própria sacerdotisa para lhe perguntar onde podia ser encontrado o herdeiro do seu império.
- O herdeiro de Atlântida reside na casa de Aricles.
A mesma  casa onde o novo filho pequeno de Apolo tinha nascido.
A rianha gritou, ultrajada, perante tal proclamação, sabendo que Apolo tinha traído o seu próprio filho. Tinham sido esquecidos, enquanto o deus forjava uma nova raça para os substituir.
Chamando os seus guardas pessoais, a rainha enviou-os à Grécia, para se assegurar de que a amante de Apolo e o seu filho eram mortos. Jamais permitiria que um deles se sentasse no seu amado trono.
- Não se esqueçam de os estraçalhar para que os deuses acreditem ter-se tratado da obra de um animal selvagem. Não quero que venham às nossas praias em busca dos autores de tal feito.
Mas, como todos os atos de vingança, também este foi descoberto.
De coração partido e sem pensar, Apolo amaldiçoou aquela que fora, um dia, a raça por si escolhida.
- Uma praga apara todos os que nasceram apollite. Que colham tudo aquilo que semearam neste dia. Nenhum de vós viverá para lá da idade da minha preciosa Ryssa. Morrerão de forma dolorosa no dia do vosso vigéssimo sétimo aniversário. Porque agiram como animais, tornar-se-ão iguais a eles. Que encontrem alimento apenas no sangue dos da vossa espécie. E que não mais sejam capazes de andar no meu reino, onde vos veria e seria forçado a recordar aquilo que fizeram para me trair.
Já a maldição tinha sido pronunciada quando Apolo se lembrou do seu próprio filho, que se encontrava em Delfos. Um rapaz que ele tinha tolamente condenado, juntamente com os outros.
Pois, uma vez pronunciadas, tais palavras não mais poderiam ser desfeitas.
Mas, acima de tudo, semeara as sementes da sua própria destruição. No dia do casamento do filho, com a sumo-sacerdotisa mais amada, Apolo entregara-lhe tudo aquilo que mais amava na vida.
- Nas tuas mãos guardas o meu futuro. O teu sangue é o meu e é através de ti e dos teus futuros filhos vivo.
Com aquelas palavras vinculativas, e num assomo de raiva, Apolo condenara-se à extinção. Pois, uma vez terminada a linhagem do seu filho, o mesmo aconteceria a Apolo e, com ele, ao próprio Sol.
Sabem, é  que Apolo não é apenas um deus . Ele é a essência do Sol e guarda nas mãos o equilíbrio do universo.
No dia em que Apolo morrer, também a Terra morrerá, bem como todos os que sobre ela vivem.
Corre agora o ano de 2003 D.C é só resta um descendente de Apolo, que carrega em si o sangue do deus antigo..."

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