sexta-feira, 22 de junho de 2012

Sedução na Noite - Seize the Night



Sedução na noite de Sherrilyn Kenyon
Edição: 2011
Página: 262
Editora: Edições chá das cinco


” Valério é um predador da Noite romano desprezado pela maioria dos predadores gregos que alimentam um profundo ódio à civilização que o viu nascer. De origem aristocrática e arrogante, Valério mal sabe o que pensar quando conhece Tabitha Devereaux. Ela é sensual, imprevisível e incapaz de o levar a sério. Mas é também irmã gémea da mulher do seu maior rival.
A única coisa que Tabitha leva a sério é matar vampiros. E agora terá de enfrentar, junto com o predador romano, o mais mortífero de todos os seus inimigos…uma ameaça acabada de regressar do mundo dos mortos. Para vencer este mal, Valério precisa de aprender a confiar em alguém e pôr tudo em risco para proteger o homem que odeia e a mulher que o leva à loucura.”


Prólogo:
“  Feliz aniversário, Agripina – disse Valério, enquanto colocava uma única rosa vermelha aos pés da estátua de mármore que guardava num local sagrado da sua casa.
Não era nada, comparado com o lugar sagrado que a mulher em si tinha ocupado no seu coração enquanto vivera. Um lugar que ainda ocupava, mesmo dois mil anos.
Fechando os olhos, sentiu-se esmagado pela dor da sua perda. Esmagado pela culpa de os últimos sons que ouvira enquanto mortal terem sido os seus violentos soluços, enquanto ela clamava pela sua ajuda.
Incapaz de respirar, ergueu um braço e tocou na sua mão de mármore. A pedra era dura. Fria. Inflexível. Coisas que Agripina nunca fora. Numa vida definida pela formalidade brutal e pela rudeza, ela tinha sido o seu único refúgio.
E ainda a amava pela calma doçura que ela lhe dirigia.
Agarrou a mão delicada entre as suas duas mãos, depois pousou o rosto na fria palma de pedra.
Se lhe pudesse ser concedido apenas um desejo, seria recordar-se do exacto som da sua voz.
Sentir o calor dos dedos dela nos seus lábios.
Mas o tempo roubara-o de tudo, expecto da agonia que ele lhe causara.
Morreria outra dez mil vezes, se isso a pudesse poupar à dor daquela noite.
Infelizmente, não havia como voltar atrás no tempo. Não havia como obrigar as Parcas a desfazer as suas acções e a dar-lhe a felicidade que ela devia ter conhecido.
Tal como não havia nada que pudesse encher o doloroso vazio que a morte de Agripina deixara dentro de si.
Cerrando os dentes, Valério afastou-se e reparou que a chama eterna que ardia ao seu lado se estava a apagar.
- Não te preocupes – disse à imagem. – Não te deixarei no escuro. Prometo.
Tratava-se de uma promessa que lhe fizera enquanto ela fora viva e, mesmo depois de morta, nunca a quebrara. Durante mais de dois mil anos mantivera-a na luz, ainda que ele fosse obrigado a viver na escuridão que a aterrorizava.
Valério atravessou o solário até chegar ao grande aparador de estilo romano onde se encontrava o óleo para sua chama. Retirou o óleo do centro da mesa e levou-o até à estátua; depois subiu para o pedestal de madeira e deitou o óleo que ainda restava na lamparina.
Naquela posição, a sua cabeça ficava à mesma altura da dela. O escultor que contratara, séculos atrás, conseguira capturar cada curva delicada e cada covinha do seu rosto precioso. Só a memória de Valério lhe juntara o tom de mel do cabelo. O verde forte dos olhos. Agripina fora perfeita na sua beleza.
Suspirando Valério tocou-lhe no rosto antes de descer. Não valia a pena romoer o passado. O que esta feito estava feito.
Agora, jurara proteger os inocentes. Guardar a humanidade e garantir que mais nenhum homem perdia uma luz tão preciosa para a sua alma, como Valério perdera.
Tendo-se assegurado que a chama aguentaria até à noite seguinte Valério inclinou a cabeça, respeitosamente, à estátua.
- Amo – disse-lhe, sussurrando em Latim.
Era algo que desejava ardentemente ter tido a coragem de lhe dizer em voz alta enquanto ela era viva.”

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