segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Entrevista com a SK

Alguma vez sentiram curiosidade em saber como começou o universo dos Dark-Hunters? Então aqui está um excerto de uma entrevista em que a Sherrilyn fala um pouco de onde vieram estas histórias fantásticas e o caminho que teve de percorrer até conseguir que alguém publicasse o seu trabalho. 

"Questão - Fantasy Lover (Amante de Sonho), que foi lançado a cerca de um mês , é um livro magnifico. É realmente diferente do que tenho lido ultimamente. Eu sei que este livro demorou um pouco a ser publicado. A jornada até ele se tornar um livro é fascinante. Pode partilhar com os nossos leitores as circunstâncias do início do livro e e a jornada que foi percorrida até ele ser publicado? 

SK - Ahh obrigada ;) Estou feliz por ter gostado. 
Vamos ver… humm por onde vou começar. O caminho para este é um bocadinho estranho. Lembram-se daquele primeiro livro que escrevi aos 7 anos? Foi uma história de horror com um vampiro. Os Vampiros sempre me fascinaram e quando estava na universidade comecei uma série, "Hunter", cujas personagens eram caçadores de vampiros imortais, que tinham sido seleccionados a dedo para nos protegerem das coisas más que vagueiam na noite. Continuei a escrevê-las, mesmo depois de ter deixado a revista e ter começado a escrever livros. Tentei que uma editora se interessasse por elas, mas ninguém arriscou. Eram rejeitadas uma e outra vez, tanto por editoras românticas como de sci-fi

Então, em 1995, estava a passar um mau bocado na minha vida pessoal. O meu pai tinha falecido em Fevereiro de cancro. Em Maio, o meu filho nasceu prematuro (7 semanas) e estava nos cuidados intensivos. Eu morri enquanto o dava á luz e fui reanimada, passei semanas no hospital. O meu filho finalmente foi para casa, mas nós não esperávamos que ele sobrevivesse -- ele já tinha uma semana antes de me deixarem vê-lo. Por causa das contas do Hospital e outras catástrofes, perdemos tudo o que tínhamos. O meu carro, a nossa casa. Vendemos tudo que podíamos para fazer face as despesas. E nesse outono a minha mãe foi diagnosticada com cancro e teve de ser submetida a 4 cirurgias e eu acabei grávida outra vez. 

Por causa das complicações com a minha primeira gravidez, eu estive no hospital durante maior parte da minha gravidez, com catéteres no meu braço, pulso, mão, etc. O meu médico tinha pena de mim e de vez em quando deixava-me sair, mas em 48 horas eu estava de volta ao hospital. Por causa da condição da minha mãe, não havia ninguém para estar comigo. O meu marido tinha que tomar conta do nosso filho que não deixavam vir ao hospital, e havia alturas em que nós os dois estávamos no hospital juntos, mas eu queria o meu marido com o nosso filho. Eu sabia que ele precisava mais do Papá do que eu, e se eu não podia estar com ele, queria que o pai estivesse. 

A única coisa que me manteve sã durante este tempo foram os meus caçadores de vampiros. Eu ficava ali, hora atrás de hora, e espreitava o que é que eles andavam a fazer. Lembro-me de ser o Julian que ficava comigo. Ele era um oráculo para Dark-Hunters (Predadores da Noite). Conheci a Grace e os dois realmente me ajudaram. Comecei a escrever a história deles no hospital, e sempre que chegava a casa passava-a para as páginas. O nome original do livro foi Saving Grace, porque foi exactamente isso era para mim. Ele realmente salvou-me durante aquele tempo e deu-me algo de bom para me concentrar. 

Só foi e 1996 (depois de ter tido o meu segundo filho) que fui capaz de submeter o Fantasy Lover aos editores. Novamente, foi rejeitado por toda a gente em Nova York. No entanto, eu acreditava nele e nos Dark-Hunters (Predadores da Noite) e recusei-me a "trancar" o livro. Naquela época estava a passar um mau bocado. Tinha vendido o meu ultimo livro, Daemons's Angel, em 1994 e não tinha vendido mais nada desde então. Tinha tido 6 livros bem sucedidos de seguida, e mesmo assim, ninguém estava interessado no que tinha para oferecer. 

Mas recusei-me a baixar os braços. Continuei a tentar e continuei a ser rejeitada. Em 1998, finalmente as coisas deram uma volta. Eu ouvi que a minha ex-agente tinha sido contratada pela Harper. Durante três semanas debati comigo mesma se ela ainda queria alguma coisa a ver comigo (autoconfiança não é o meu forte). Então decidi enviar-lhe as duas coisas mais fortes que tinha. Um foi Fantasy Lover e a série Dark-Hunter, a outra foi A Pirate of Her Own. 

Deixei a carta na caixa, esperando um ressoante "não obrigado" como resposta. 42 horas mais tarde recebi um telefonema dela a perguntar-me por onde á que tinha andado e que é que era o meu agente. Eu disse-lhe que não tinha agente, e nós falámos sobre os meus projectos. Ela disse que não estavam interessados em nada Paranormal, mas para lhe enviar uma cópia da proposta do pirata. Eu fi-lo e três dias depois ela ofereceu-me um contrato de três livros. Assim, finalmente nasceu a Kinley MacGregor ;) 

Mas eu ainda queria ver o Julian em papel. Por tanto, enquanto escrevia os livros da Kinley, ainda escrevia os livros dos DH e continuava a submete-los  Em 1999, a minha editora insistiu que eu arranjasse um agente para o  contrato seguinte. Eu não queria, mas ela insistiu até que me convenceu. O meu agente fantástico pegou no Fantasy Lover e em pouco tempo a St. Martins Press ofereceu-lhe e aos Dark-Hunters uma casa. 

Questão - De todos os seus livros, o Fantasy Lover foi aquele em que foi mais difícil encontrar uma casa para ele, porque é que acha que assim foi? 

SK - Porque era tão diferente. A julgar pelas rejeições, ninguém tinha bem a certeza do que fazer com ele. As editoras estavam um bocado pé atrás, porque não tinham a certeza como é que o publico ia aceitar um escravo sexual da Grécia antiga. E quando comecei a enviá-lo, o mercado paranormal tinha acabado de cair, e toda a gente estava a retirar-se de qualquer coisa não tradicional."


Traduzido por Sofia Ribeiro

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